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quinta-feira, 31 de julho de 2014

A gente viu Meu Pedacinho de Chão!

Sem a pretensão de dar explicações, gostaria de contar minhas impressões sobre o figurino de Thanara Schönardie  para a novela “Meu Pedacinho de Chão”. Tive duas vezes contato com o incrível trabalho que nos impressionou pela qualidade artística, primeiro numa visita aos ateliers da produção que fica numa área junto à cidade cenográfica da novela no Projac, e posteriormente numa belíssima exposição na galeria Silvia Cintra, na Gávea. E é claro observando a própria novela, e cabe uma observação, como o diretor Luiz Fernando Carvalho foi generoso com o figurino, os enquadramentos aproximaram o telespectador das texturas excepcionais, dos materiais inusitados, do colorido fantasioso. Falou-se que os personagens remetiam ao universo infantil, aos contos de fadas, mas não só, ora lembrávamos-nos de Tim Burton, ora de Jean-Pierre Jeunet, mas quem se importa com as referências diante da variedade de interpretações. 



Os figurinos de Thanara demostram em cada detalhe que todos nós crescemos sob os efeitos da mídia, do consumo, dos brinquedos, e esses vestiram muito bem com plástico e acetato o cowboy que virou toureiro, o falso coronel, o clown, o dândi, e tudo junto e habilmente misturado.  Mitos integrados ao consumo através de nossas fantasias. Como também vestiu de maneira artesanal a figura ancestral da parteira benzedeira. 



Alguns críticos que mordem o próprio rabo questionaram a falta de sentido de realidade, indagação que muito me surpreende ao ser feita num século mergulhado em imagens e virtualidades.


E como é pródiga Thanara Schönardie, em sua exposição na Gávea, não se limitou a exibir seus lindos figurinos, seus adornos fantásticos, seus belos acessórios, mas também a designer revelou-se ao nos mostrar suas técnicas, seus processos de criação, seus cadernos de anotações. A paixão da figurinista por detalhes, pelo ondeante de uma fita, pelo infinito do brilho do strass, já foi dito, é coquetterie.



Ficamos sabendo da extensão cronológica usada por Thanara para vestir os personagens, ela buscou citações do século XVIII, como na exuberante Catarina, vivida pela Juliana Paes, aos trajes fin de siècle da enérgica Gina, a atriz Paula Barbosa. Liberdade pós-moderna da figurinista, apoiada pelas apropriações dos contos de fadas, das fábulas, ou, quem sabe um salto benjaminiano em direção ao passado “a moda tem um faro para o atual, onde quer que ele esteja na folhagem do antigamente. Ela é um salto de tigre em direção ao passado”.

Conheça o trabalho Thanara Schönardie como Designer no site www.thanaraschonardie.com/ 


Um comentário:

  1. Não gosto muito de novela, mas essa me encantou desde o primeiro momento...
    As cores, o figurino, a história sem palavras...
    Infelizmente acabou, mas tudo que é bom um dia a acaba, mas vai ficar na nossa pra sempre nas nossas memórias =)
    Adorei o post =)

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