Sem a pretensão de dar explicações, gostaria de contar
minhas impressões sobre o figurino de Thanara Schönardie para a novela “Meu Pedacinho de Chão”. Tive duas vezes contato com o incrível trabalho que nos impressionou pela qualidade artística,
primeiro numa visita aos ateliers da produção que fica numa área junto à cidade
cenográfica da novela no Projac, e posteriormente numa belíssima exposição na
galeria Silvia Cintra, na Gávea. E é claro observando a própria novela, e cabe
uma observação, como o diretor Luiz Fernando Carvalho foi generoso com o
figurino, os enquadramentos aproximaram o telespectador das texturas excepcionais,
dos materiais inusitados, do colorido fantasioso. Falou-se que os personagens
remetiam ao universo infantil, aos contos de fadas, mas não só, ora lembrávamos-nos
de Tim Burton, ora de Jean-Pierre Jeunet, mas quem se importa com as
referências diante da variedade de interpretações.
Os figurinos de Thanara demostram em cada detalhe que todos
nós crescemos sob os efeitos da mídia, do consumo, dos brinquedos, e esses vestiram
muito bem com plástico e acetato o cowboy que virou toureiro, o falso coronel, o
clown, o dândi, e tudo junto e habilmente misturado. Mitos integrados ao consumo através de nossas
fantasias. Como também vestiu de maneira artesanal a figura ancestral da parteira
benzedeira.
Alguns críticos que mordem o próprio rabo questionaram a
falta de sentido de realidade, indagação que muito me surpreende ao ser feita
num século mergulhado em imagens e virtualidades.
E como é pródiga Thanara Schönardie, em sua exposição na
Gávea, não se limitou a exibir seus lindos figurinos, seus adornos fantásticos,
seus belos acessórios, mas também a designer revelou-se ao nos mostrar suas
técnicas, seus processos de criação, seus cadernos de anotações. A paixão da
figurinista por detalhes, pelo ondeante de uma fita, pelo infinito do brilho do
strass, já foi dito, é coquetterie.
Ficamos sabendo da extensão cronológica usada por Thanara para
vestir os personagens, ela buscou citações do século XVIII, como na exuberante Catarina,
vivida pela Juliana Paes, aos trajes fin
de siècle da enérgica Gina, a atriz Paula Barbosa. Liberdade pós-moderna da
figurinista, apoiada pelas apropriações dos contos de fadas, das fábulas, ou,
quem sabe um salto benjaminiano em direção ao passado “a moda tem um faro para
o atual, onde quer que ele esteja na folhagem do antigamente. Ela é um salto de
tigre em direção ao passado”.
Conheça o trabalho Thanara Schönardie como Designer no site www.thanaraschonardie.com/

Não gosto muito de novela, mas essa me encantou desde o primeiro momento...
ResponderExcluirAs cores, o figurino, a história sem palavras...
Infelizmente acabou, mas tudo que é bom um dia a acaba, mas vai ficar na nossa pra sempre nas nossas memórias =)
Adorei o post =)